A importância de validar emoções na infância e adolescência
Você já ouviu a frase: "aceita que dói menos"?
Mas quem disse que dói menos? E mais importante: quem disse que não pode doer?
Essa ideia revela uma dificuldade muito comum entre nós adultos: lidar com os sentimentos, principalmente aqueles considerados negativos.
Ao longo da vida, muitos aprendem a reprimir emoções. Frases como "não chore por isso", "isso é bobeira" ou "precisa ser forte" acabam ensinando que sentir é errado. E, sem perceber, esse padrão é repetido com as crianças.
Quantas vezes um adulto já pediu para uma criança parar de chorar ou disse que aquilo não era motivo?
Por que validar os sentimentos é tão importante?
Sentir é fundamental para o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.
É por meio das emoções que a criança aprende a:
- Reconhecer o que está sentindo
- Nomear suas emoções
- Desenvolver autocontrole
- Lidar com frustrações
- Construir segurança emocional
Para que isso aconteça, é essencial que o adulto seja um porto seguro, permitindo que a criança vivencie seus sentimentos sem julgamento.
Não é necessário corrigir, apressar ou tentar eliminar o sentimento.
É importante permitir o sentir, para que a emoção possa ser vivida e elaborada.
O que significa validar os sentimentos?
Validar os sentimentos exige sensibilidade, empatia e presença.
Significa mostrar para a criança ou adolescente que você percebeu e respeita aquilo que ela está sentindo.
Alguns exemplos simples:
- "Eu posso ver que você está triste"
- "Entendo que isso te deixou bravo"
- "Imagino que isso tenha sido difícil para você"
Após essa validação, muitas vezes não é necessário dizer mais nada.
A presença e o acolhimento são suficientes para que a criança consiga atravessar esse momento.
O papel do adulto no desenvolvimento emocional
Quando o adulto valida os sentimentos, ele ensina algo essencial:
Que é possível sentir, acolher e seguir em frente.
Esse processo fortalece a inteligência emocional, a autonomia e a segurança interna da criança.
Validar não é concordar com o comportamento, mas sim reconhecer o sentimento.
Sentimentos não precisam ser evitados. Eles precisam ser compreendidos.
Crianças não precisam aprender a não sentir. Precisam aprender a lidar com o que sentem.
Se você deseja desenvolver uma relação mais saudável e consciente com seu filho, o acompanhamento psicológico e a orientação parental podem ajudar nesse caminho.
Estou à disposição para te acolher.
Ana Luísa Lemos Serra
Psicóloga e Neuropsicóloga | CRP 01/10957

